Nos últimos dias é possível notar que os meios de comunicação voltaram-se para as acusações de espionagem dos Estados Unidos (BARAK OBAMA) diante dos países que são considerados aliados e "amigos".
Tudo virou um embrolho, o qual se for bem analisado pelas nações atingidas, notória é a intenção de que todos desviem seus olhares para o tema "espionagem" , aliás gravíssimo, e desliguem-se daqueles mais relevantes para a humanidade.
De qualquer maneira, tudo jogado aos ventos, sejam por atos ou palavras devem ser muito bem observados, e sentir nas entrelinhas o que de fato se destaca , e qual o desejo maior , ou seja, as mudanças que possam causar grandes impactos e/ou desconfianças entre os envolvidos, ou muitos dólares para os bolsos de alguns.
E, uma vez desconfianças ao vento... perigo iminente de desarmonia e desrespeito entre as grandes nações, mesmo excetuando um ou outro da relação político-diplomática, automaticamente empurrarão as pequenas nações ao desequilíbrio econômico -social no mundo globalizado.
Em se tratando de quem será o maior e melhor vale tudo!
Então, ao ler um texto de LUIZ EÇA, do Correio da Cidadania acredito ser interessante repassá-lo para meus amigos do blog comment free.
- Quem sabe seja possível, uma reflexão mais ampla sobre o tema, por aqueles que apenas comentam sem razões ou contra razões?
Dessa forma peço licença ao autor, Luiz Eça...
Apesar do Reino Unido, a Europa não é mais tão fiel aos EUA.
A revelação das diabruras da
espionagem norte-americana nas comunicações privadas da Europa deixou
governos, políticos e povo enfurecidos.
A premier Merkel,
embora também crítica, procurava moderar os protestos gerais. Perdeu a calma
quando descobriu que seu próprio celular estava grampeado.
Logo, juntou-se a outros líderes
europeus, exigindo que os EUA parassem de espionar seus amigos e aliados. Não
era coisa que se fizesse!
Enquanto isso, comissão de
legisladores europeus concluía leis a disciplinar a transferência dos dados
dos computadores dos países da União Europeia para os EUA.
Elas tornarão essas operações muito
mais difíceis para os grandes servidores de internet e provedores de mídia
social estadunidenses, pois terão de ser submetidas às leis da Europa e não
às concessivas cortes secretas dos EUA.
Depois de emitir várias (e duras
condenações), Merkel exigiu explicações de Obama, recebendo desculpas,
promessas de emenda, nada muito satisfatório.
A grande surpresa foi que, dois
dias depois, numa reunião de líderes da União Europeia, ela concordou em
adiar para 2015 a aplicação das novas leis anti-espionagem.
Os chefes de governo europeus – com
exceção da França, Polônia e Itália – foram nessa, apesar de contrariarem
suas posições públicas e de seus respectivos povos.
Preferiram dobrar-se ao lobby
pró-EUA conduzido pelo governo inglês. Até a próspera Alemanha, senhora dos
cofres da recuperação europeia, cedeu. E não se trata de boato ou duvidosa
informação anônima: o Der Spiegel, ao dar a notícia, citou
documentos do Ministério do Exterior de Berlim.
Evidentemente, a pressão inglesa
favorece os EUA, mas prejudica a comunidade europeia, pois adia uma lei do
maior interesse dos seus países, que, aliás, há dois anos já teria sido
aprovada, não fosse a oposição norte-americana.
O primeiro ministro do Reino Unido,
David Cameron, continuou prestando serviços à Casa Branca, ao ameaçar a
“sacrossanta” liberdade de imprensa inglesa.
Em discurso na Câmara dos Comuns,
ele censurou o jornal The Guardian pela
publicação das denúncias da espionagem na Europa.
Disse Cameron: “Vivemos num país
livre onde os jornais têm a liberdade de publicarem o que eles quiserem”.
Nem tanto, pois ele garantiu que,
caso o The Guardian não se calasse, acabaria aplicando
o D-Notices, que permite ao governo proibir matérias ameaçadoras
da segurança nacional.
Como cabe ao governo dizer quando
isso acontece, ele poderia simplesmente vetar notícias que o contrariem.
E lá se vai a liberdade de
imprensa. Para evitar um ato que seria uma tragédia numa democracia como a
inglesa, o D-Notice só costuma ser aplicado em situações
excepcionais. Numa guerra, por exemplo.
Segundo Cameron, o país vive um
momento assim, sendo que as denúncias de espionagem já o tornaram “menos
seguro.” Claro, não provou nada.
Na verdade o que essas denúncias
prejudicam é a imagem dos EUA na União Europeia.
Do Reino Unido também, pois
recentes artigos mostram como os dois países monitoraram as comunicações dos
seus bons amigos no Velho Continente.
Não é de hoje que o governo de
Londres atua como um verdadeiro agente da Casa Branca, infiltrado na
Comunidade Europeia.
Por pensar assim, o general de
Gaulle, quando presidente da França, vetou duas vezes a integração do Reino
Unido na chamada Comunidade Econômica Europeia (antecessora da Europa Unida).
Justificou-se dizendo que permitir
a entrada do Reino Unido seria o mesmo que permitir a entrada dos EUA e as
consequências seriam “uma comunidade atlântica colossal, dependente e
liderada pela América, que logo absorveria a comunidade europeia”.
Bem, esta fase ainda não chegou.
Talvez nem chegue. Mas meio caminho já foi percorrido.
Após de Gaulle, em muitos eventos,
o Reino Unido aceitou a liderança yankee e influenciou
outros países europeus nesse sentido.
Quando Bush resolveu invadir o
Iraque, convocou Tony Blair para apoiá-lo numa guerra ilegal e injusta. E
Blair, como primeiro-ministro do Reino Unido na época, topou co-patrocinar
aquela farsa cruel, que tantas destruições e mortes causaram aos iraquianos.
Até ajudou a convencer Aznar da
Espanha, um dos 28 integrantes da Europa Unida, a aderir, contra a opinião do
seu próprio povo.
Mais recentemente, o Reino Unido pressionou
seus aliados europeus a suspenderem a proibição do envio de armas para a
revolução da Síria, país que nunca ameaçou a Europa.
Quando Obama quis bombardear
Damasco, por ter o governo supostamente usado bombas químicas (sem haver
provas disso), Cameron aprovou com entusiasmo.
E foi além. Por sua ordem, o Estado
Maior chegou a planejar a participação militar inglesa no ataque
norte-americano.
Felizmente, o Parlamento cortou
esse barato, pensando nos desejos do seu povo, não da Casa Branca.
Essa inversão de papéis, com o
Reino Unido seguindo os EUA – sua ex- colônia –, se intensificou durante o
governo conservador de Margareth Thatcher. Mesmo com os dois trabalhistas que
a sucederam no cargo de primeiro-ministro, não houve mudanças.
O que está mudando é a posição dos
outros países da Europa diante da hegemonia norte-americana.
Não é de se crer que eles irão se
desvincular totalmente, formar um bloco à parte. Especialmente a partir do
reconhecimento da Palestina pela ONU, quando seus países foram favoráveis ou
neutros, contra a posição dos EUA, a Europa Unida tem a divergido da Casa
Branca em várias questões pontuais.
Nas negociações de paz na Palestina
e na discussão dos acordos nucleares com o Irã, por exemplo, as posições
europeias são claramente mais flexíveis do que as da Casa Branca, fortemente
influenciadas por Tel-aviv.
Durante os longos anos da guerra
fria, a Europa acostumou-se a ver nos EUA seu defensor diante da ameaça
expansionista da União Soviética.
Esta confiança foi profundamente
abalada, senão perdida, com o episódio da revelação da espionagem.
“Não é coisa de aliados e amigos”,
disse Angela Merkel. Certamente, o dócil Reino Unido, do primeiro-ministro
Cameron, estará a postos para tentar frustrar qualquer nova rebeldia dos
europeus.
No entanto, não importa o que
acontecer, nada mais será como antes.
Escrito por Luiz Eça
Em 01 de Novembro de 2013.
Certo é , que as coisas são pintadas em conformidade com o pensamento e devaneios do pintor.
|


Nenhum comentário:
Postar um comentário