sexta-feira, 10 de junho de 2016

E a nossa cultura regional, em que lugar se escondeu?


Até parece que foi ontem!

Minha chegada nesta cidade (anos 80), do Extremo Sul da Bahia considerada , a "Rota do Descobrimento do Brasil", em busca de mudanças que visavam alcançar êxito econômico-financeiros, foi de fato muito inusitada!

Isto porque, eu já conhecia a região, em razão de passar férias na casa de meu cunhado aproveitando a beleza do sol e das praias aqui existentes, sem sequer ter cogitado em tempo algum, o desejo de vir morar por estas bandas. 

São fatos que acontecem inesperadamente, principalmente ao aceitar convite às cegas. Visitar é muito diferente de mudar a vida de lugar. Mesmo assim, cá estamos até então. 

Muito trabalho durante anos a fio para conquistar certa "marola".

Não é uma região igual as outras, além dos hábitos culturais, o povo em sua maioria são forasteiros, como eu mesma vindos de estados fronteiriços do sudeste e sul do Brasil , o que possibilitou uma miscelânea de cores, sabores e costumes , a partir da harmonia com os nativos ( indígenas, os verdadeiros donos das terras) enveredando por caminhos cheios de curiosidades, contrastes e humor, que evidentemente podem ser boas e inesgotáveis. 

Cito como exemplo, uma afirmação do meu afilhado: "quando a coisa é boa madrinha podemos comer com farinha da boa, ou seja a fina e torrada"...chamamento interessante que me fazia sorrir!

Mas, o que mais me encantava era a força da cultura já aculturada , frente aos festejos e comemorações que se arrastaram por anos a fio. Como por exemplo aqueles relacionados a São Cosme e Damião e o São João.

Tais festejos eram tão fortes, que ultrapassavam aqueles considerados importantes em terras próximas (Natal, Réveillon, Carnaval, etc.) e irrelevantes por aqui.

A natureza de desenvolvimento econômico e cultural, ali estavam engajados, de tal forma que os lojistas, feirantes, moradores rurais, dos estabelecidos na zona urbana, e na alegria política dos gestores em oferecer o melhor para os conterrâneos. 

Enfatizando, que o cacau (fruto regional) era o produto elevador da subsistência, dos ricos regionais fazendo valer o título de "ourocirculante. 

Era puro êxtase... loucura geral para um excelente faturamento, que garantia a tranquilidade de muitos para o restante do ano. 

Todavia, qualquer elo que se quebre de uma corrente, tudo passa a desandar, ou seja soltam-se todos caindo em diferentes direções. Neste caso, a queda efetiva do "ouro" provocado por pragas resistentes aos tratamentos de cura.

As decepções sobre as pessoas que formavam a sociedade local era insuportável. Puro preconceito e uma notável desigualdade social!

O difícil mesmo era suportar agruras de criaturas tão arrogantes, com pretensões onipotentes e onipresentes, sobre os menos abastados...sem contar que alguns destes últimos fingiam-se poderosos do "cacau" também.  Era bestial!

Assim pude verificar, como de fato a burguesia, tão falada nos livros de filosofia e sociologia se apresentavam, aqui, para mim ao vivo e a cores. 

Não como telenovelas, e sim nua , crua e vergonhosa no fator "subjugar". Cujo senhor cidadão do trabalho principal, do plantar e colher via-se humilhado e derrotado em sua própria região e no fruto do seus esforços. Ai que dó!

Somente os bons deveriam estar presentes durante as festividades, com honras sei lá do quê! E assim foram se perdendo os gostos pelas tradições culturais regionais.

E, a partir daí surge, o meu ponto de reflexão, sobre o desaparecimento, ou quem sabe, sobre o desinteresse sócio-político, mais político do que social,  para que os eventos culturais continuassem valorosos e com igualdade de proveito para todos.

Neste panorama questiono: 

Onde se encontram, os afamados direitos e deveres , do cidadão, afinal? 

- Será que o fato do "ouro" desaparecer , as tradições culturais regionais esvaíram-se com ele?

- Ou será que o desinteresse sócio-político e suas gestões escolheram "economizar" , em detrimento daqueles que mais se alegravam com os festejos... os menos abastados?

- E a sociedade local cala-se em razão do quê mesmo? Medo das represálias Politico-sociais, contratuais, empregatícias, religiosas, ou sequer sabem preservar, até mesmo os jovens mais ousados, suas mais lindas características e costumes culturais? 

- Renderam-se aqueles que acreditam possuir riquezas, sem pensar no bem estar geral  da população regional, que faz crescer a região com seus trabalhos diversos?

Que pena! 

Pura frustração para mim, ao acreditar no valor intrínseco, (inerente/relevância) do ser humano, em saber promover a solidariedade e a felicidade do semelhante!

As ações passaram a total individualidade, apenas visam o próprio umbigo!

Na piada..."farinha pouca, meu pirão primeiro", e desta forma somos considerados o comercinho do meio, sem quaisquer direitos. Tudo acontece na "marra"... Ai que tristeza, meu DEUS!

Felizmente afirmo e confirmo, que durante a minha infância e adolescência, na cidade de Salvador/BA, capital, minha gente!  Em se tratando das festividades de São João, lá reinava a felicidade.  

Nossas casas, ruas e avenidas se preparavam, sem dependências humilhantes, mas sim através da união de pessoas solidárias, as quais entregavam-se ao trabalho e a seguir, bem arrumados e perfumados deixavam suas portas abertas para confraternização geral de suas comunidades. 

Cada uma, dentro de suas possibilidades momentâneas, onde as quadrilhas se apresentavam, sanfoneiros tocavam e cantavam , as fogueiras eram acesas, muitos fogos lançados, oferecimento de licores , queijos tipo Reino, pamonhas, canjicas, amendoins, milhos cozidos e assados, entre outras iguarias eram partilhados, namoricos iniciavam, etc... e a verdadeira alegria contagiava toda a cidade, sem pompas de reis ou rainhas, todos eram iguais ( religiosos, ou não, negros, brancos, amarelos, vermelhos, mestiços, gordos, magros, ricos, pobres, etc) naqueles maravilhosos eventos, a partir do mês de Maio com as "rezas para MARIA", Santo Antônio, São João e S.Pedro.

Este era o mundo bom!

Há de convir que algo está desandado por aqui!

Que pensemos sobre isto.


Abração e FELIZ SÃO JOÃO à todos!



segunda-feira, 6 de junho de 2016

Amenidade: O casamento estava prestes a começar mas ninguém esperava o que o Padre ...

Ainda bem que existem padres com tal desprendimento.
Prazer em celebrar um casamento e soprando os bons fluidos para a felicidade do noivos!
Amei!
Abração!


Amenidade: Garrafa decorada com fita espelhada

Simplicidade, facilidade e beleza para enfeitar sua casa.
Experimente!
Abração!